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Amizades

Humberto Werneck

Um dos maiores amigos de Carlos Drummond de Andrade, amizade que haveria de estender-se, sem mácula, por mais de sessenta anos, foi Pedro Nava. O grande memorialista de Juiz de Fora conta que foi Aníbal Machado quem primeiro lhe falou, ali por 1921, 22, em Belo Horizonte, de um jovem poeta itabirano que muito prometia. Você gostará de conhecê-lo, estimulou o futuro autor do romance João Ternura e dos contos de A Morte da Porta-Estandarte.

O primeiro encontro, conta Nava em Beira-Mar, aconteceu num restaurante belo-horizontino, em 1922 – curiosamente, mais ou menos na época em que, em São Paulo, moços pouco mais velhos do que eles promoviam a Semana de Arte Moderna.

Como tantos outros jovens escritores da Minas Gerais daquele tempo, Drummond e Nava não tardariam a se transplantar para o Rio de Janeiro, onde décadas de convívio consolidariam uma camaradagem cujo cenário inaugural, ainda em Belo Horizonte, foi a mitológica rua da Bahia, com seus cafés e livrarias. Ali, ao longo da década de 1920, eles bateram ponto quase toda noite, de preferência no Café Estrela, há muito desaparecido.

De certa forma, os dois moleques do modernismo de Minas Gerais ainda lá estão, agora representados por estátuas de bronze que, numa calçada da rua Goiás, a dois passos da rua da Bahia, parecem dar sequência a seu vitalício bate-papo.

 

Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava

 

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