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Caminhada — 4

Humberto Werneck

Será difícil, mas vou tentar saber onde foi, exatamente, que dois baderneiros ajudaram a tocar fogo num bonde, em algum momento da década de 1920, em Belo Horizonte, em protesto contra um aumento no preço das passagens.

Um e outro, Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, não fizeram segredo da história – relatada por Nava em Beira-Mar – sem, contudo, infelizmente, fornecer detalhes que, para um biógrafo, seriam pitadas de ouro em pó.

Mais fácil será saber, espero, onde ficava a casa de uma família capixaba que se mudou para Belo Horizonte naquela época, composta de moças bonitas, cultas e inteligentes, dadas a promover saraus literários – aos quais compareciam Nava e Drummond.

Ainda com detalhes a incorporar, a história é conhecida. Certa madrugada, aqueles dois passaram em frente à casa e resolveram atear fogo a ela. Não que fossem incendiários, hipótese que o episódio do bonde até poderia reforçar. Queriam apenas ver as moças, apavoradas, saindo de camisola, coisa dificílima na Belo Horizonte daquele tempo. Não conseguiram tanto. Mas, aos olhos da família, posaram de heróis, ao combater as chamas que eles mesmos haviam ateado.

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